Diante da importância que cada vez mais estão tendo as hidrovias no mundo para baratear substancialmente os custos de transporte interno, com um tratamento amável ao meio ambiente, consideramos bastante atual a entrevista da Ola Política com o diretor geral da Corporação Autônoma Regional do Rio Grande da Magdalena, Cormagdalena.
O rio Magdalena é uma prioridade nacional. Os entendidos asseguram que é a riqueza natural mais valiosa e importante da Colômbia. Mas não a apreciamos. Havendo sido durante dois séculos o eixo básico do progresso do país, foi abandonado. Primeiro o trem, e depois a estrada principal para a costa, ele foi substituído como meio de transporte de carga e passageiros. O grande rio se sedimentou, suas águas foram contaminadas, a pesca diminuiu em 70%, os transbordamentos tornaram-se mais freqüentes, e “a jóia da coroa” deixou de ser um objetivo nacional. Após muitos estudos e grandes esforços, alguns deles infrutíferos, o governo do presidente Santos assumiu o dever de recuperar o rio, destinando recursos para essa tarefa tão importante, e atribuiu a responsabilidade pela execução de tamanho desafio à mencionada Corporação.
A seguir, trechos da entrevista feita pelo ex-candidato à presidência Horacio Serpa, com o diretor Geral da Cormagdalena, Augusto García:
Esta é uma empresa industrial e comercial do Estado, criada pela Constituição, através da iniciativa de vários constituintes, entre eles você, de dar ao rio Magdalena a importância que ele merece. Afortunadamente, neste governo foi destinado um orçamento de aproximadamente US$700 milhões para o projeto de recuperação. A decisão foi adotada em virtude de que o rio não é apenas uma via, mas que a sua reativação atende um propósito múltiplo na área ambiental, social e, obviamente, econômica.
De fato. Na realidade, em 15 de janeiro passado abrimos o processo de associação público-privada, que já está nas páginas de internet do governo, e é um projeto que deverá ser concluído em setembro deste ano. É uma obra de US$600 milhões, que visa construir obras de canalização entre o Porto Salgar, La Dorada e Barrancabermeja, e a manutenção do rio desde o Porto Salgar. Com isto vamos ter um rio de 886 quilômetros, com uma profundidade (mínima permanente águas acima) de 7 pés, totalmente apto para se converter na principal via de transporte da carga nacional.
É necessário distinguir a dragagem, da manutenção e construção. A manutenção será assumida a partir do 1° de janeiro de 2014, com o propósito básico de atender a carga para transporte. E as obras de canalização terão uma duração de 3 anos.
Claro. Estamos realizando com o governo da China um estudo para um grande plano de aproveitamento do rio Magdalena, e um de seus projetos mais importantes é a geração de energia. Esse estudo estará pronto em novembro deste ano. Estão sendo identificados os melhores lugares onde podem ser colocadas hidroelétricas, e seu tamanho: em alguns lugares, micro centrais; em outros, médias, que contribuam para a regulação dos caudais do rio e a geração de energia.
O que se quer com o rio Magdalena em matéria de transporte é diminuir os custos do transporte interno que hoje sofrem muitos empresários colombianos, principalmente os produtores de carvão do centro do país, de Santander e da savana cundiboyacense. Mas o rio precisa de um porto final de grande calado, onde possam chegar os grandes barcos e levar esses produtos a preços competitivos no mercado internacional. Assim, em Barranquilla reativamos o projeto de águas profundas: um porto com 20 metros de profundidade onde possa chegar qualquer tipo de embarcação, principalmente os grandes navios que serão mobilizados pelo Caribe em função da ampliação do Canal do Panamá. Desta maneira, Barranquilla, e em Cartagena o porto da Sociedade Portuária, serão os dois portos finais do rio Magdalena, que vão poder levar a carga para o exterior.
Sobre o Canal do Dique apresentamos ao Fundo de Adaptação um projeto para que seja feito um grande estudo –com os recursos já destinados por este governo, próximos dos US$ 700 milhões- de modo que possamos saber qual é a obra que deve ser aí construída, e que além de manter a navegação permita proteger os municípios de inundações como as que ocorreram em 2010. E que possa contribuir para o componente natural desenvolvido por este canal, que é o de ser fornecedor da água dos municípios ao sul do Atlántico e Bolívar.
Estamos realizando um projeto com o vice-ministério do Turismo para que o meio e o alto Magdalena se convertam em um cenário turístico atraente para colombianos e estrangeiros. Quando nos deparamos com municípios como o Ambalema ou Honda, ou chegando ao estreito de San Agustín, descobrimos as belezas que tem o rio. O problema é que não há os meios de navegação que antes havia: não há lanchas, não há balsas, não há barcos que permitam a mobilização do turista. Queremos investir em portos e em cais, em mirantes, em diques, e que tudo isso contribua para um grande projeto turístico nacional.
Na bacia do rio são produzidos 80% do Produto Interno Bruto da Colômbia, e habita 30% da população. Só isso fala da grande importância que tem para os colombianos. Quando permitirmos que os municípios que hoje estão abandonados – e que foram fundados por estar a lado dessa grande via de interconexão –voltem a ser ativos, o rio Magdalena terá, sem dúvida, uma melhor imagem.
